Conclusão: Crise da sexualidade e crise da fé no atual mundo árabe-muçulmano
“Esses diversos ajustamentos históricos fizeram, pois, com que a ética sexual vivida pelos muçulmanos e a visão do mundo pressuposta por essa ética tivesse cada vez menos relação com as generosas declarações alcorânicas e maometanas.” (p. 303)
– O capítulo 4 se mantém no plano ideal. Apresenta a lógica de comportamentos e regras dentro do Islã no âmbito teórico, no ideal que a religião pretende. A conclusão ante aos “ajustamentos históricos” e ao distanciamento das declarações alcorânicas e maometanas detém-se na análise da sociedade, identificando as mudanças na lógica ideal do Islã a partir das leituras particulares do Alcorão pelas sociedades que se assentaram sobre a religião islâmica.
A colonização constituiu-se em um importante fator que levou a um ajustamento histórico. Ante a dominação do ambiente e do meio a reação do muçulmano foi a preservação da intimidade da família limitando a relação com o outro à exterioridade.
Desse modo mantida a identidade coletiva, a esposa, a mãe, a mulher muçulmana adquire papel central pois será ela a guardiã da tradição quando o marido deixa o ambiente dominado e adentra o lar em que tudo se mantém ordenadamente.
“Até o fim, pois, a ética sexual do Islã e os papéis que ela atribuía à mulher assegurarão uma função renovada e a mãe servirá de refúgio e de abrigo à identidade coletiva.” (p. 305)
Em seguida Boudhiba descreve os impactos sociais da modernidade na medida em que insere novas tecnologias e recria costumes e valores.
“As distorções da infeliz história dos países árabe-muçulmanos não se limitam, pois, apenas ao plano político. Elas também devem ser inferidas dessa odisséia de percepções de si mesmo como corpo, tendo que manter com a natureza e com o outro relações amplamente perturbadas por uma tecnologia terrivelmente indiscreta.” (p. 307)
No entanto toda a mudança advinda com a modernidade não representa, à mulher muçulmana, a adoção de novos costumes e valores, a adoção do progresso inevitável, mas na verdade a uma recusa do passado. Enfatiza-se na sociedade muçulmana a negação do antigo e não a afirmação do novo.
Visto que a emancipação sexual é a uma idéia da modernidade, aderi-la pressupõe a negação da tradição. Mas como fora dito a mulher se tornou pra sociedade muçulmana a guardiã da identidade coletiva assentada na tradição.
Descreve-se, adiante, uma série de situações envolvendo mulheres que escreveram à revistas femininas e determina-se ante ao desejo de viver da mulher árabe o terreno da sexualidade como o único válido para a liberação da mulher.
O autor conjuga a emancipação feminina à emancipação masculina, retomando a idéia de harmonia do capítulo 4. “A liberação da mulher passa pela liberação do homem. Esse é o preço que deve ser pago para que se realize a harmonia do casal, e, portanto, da sociedade.” (p. 314) Aborda, portanto, um assunto da modernidade sob aspecto da tradição.
Favorável a liberação sexual critica os modelos tradicionais e os importados como ambos andrólatras e atenta por uma batalha da modernidade em todos os níveis. Ultrapassa os limites de uma revolução sexual e clama para que se lute contra os privilégios também políticos, econômicos e financeiros.
Pontua a princípio uma crise sexual e religiosa, para, em seguida, determinar uma crise total da consciência humana. “Essa crise que testemunha a dificuldade que experimenta a sexualidade em se definir em um contexto no qual a modernidade é apreendida ao mesmo tempo como recusa de um inextinguível ontem e como a vontade de viver um amanhã que tarda um pouco a chegar.” (p. 323)
Retoma, finalizando, a questão da sexualidade:
- crise sexual como uma crise nas relações interpessoais na medida em que sexualidade é o diálogo com o outro.
- deixa clara uma crítica à modernidade e uma exaltação da tradição do Islã, entretanto sem medir ou refletir em formas práticas a essa realização.
“Organizando sobre uma base institucional o jogo sexual, introduzindo nele uma sofisticada dialética do público e do privado, do lícito e do ilícito, o Islã dava sentido positivo à sexualidade. Isto é, um sentido positivo a si mesmo e ao outro. Privando a sexualidade de seu mistério, eu me despojo de minhas próprias significações. Donde este erotismo sem alegria, sem odor, sem cor, sem sabor, e que apenas é bestialidade.” (p. 324-325)
“Nada nem ninguém nascem por geração espontânea, e em matéria de cultura o legado pode ser alienado, e as mais autênticas revoluções são sempre as que sabem reencontrar as profundas continuidades do amanhã com o hoje e com o ontem.” (p. 326)
sábado, 14 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Cronograma do GT para o Segundo Semestre
As atividades que estamos planejando são:
19 / agosto – Discussão de textos ( Fatima Mernissi )
Semana entre os dias 30 de agosto e 3 de setembro : debate virtual com grupo de mulheres do Irã ( a confirmar )
23/ setembro – discussão de textos
04/ novembro – discussão de textos
16 ou 17 de novembro – Debate sobre Líbano com Ramez Philippe Maalouf ( comentário de Renatho Costa)[ a confirmar ]
7,8 e 9 de dezembro – Congresso do LEA [ a confirmar ]
19 / agosto – Discussão de textos ( Fatima Mernissi )
Semana entre os dias 30 de agosto e 3 de setembro : debate virtual com grupo de mulheres do Irã ( a confirmar )
23/ setembro – discussão de textos
04/ novembro – discussão de textos
16 ou 17 de novembro – Debate sobre Líbano com Ramez Philippe Maalouf ( comentário de Renatho Costa)[ a confirmar ]
7,8 e 9 de dezembro – Congresso do LEA [ a confirmar ]
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O que ler sobre o Irã
Veja sugestões da revista Foreign Affairs em:
http://www.foreignaffairs.com/features/readinglists/what-to-read-on-iranian-politics
http://www.foreignaffairs.com/features/readinglists/what-to-read-on-iranian-politics
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Leituras para o encontro do GT do dia 05/08/2010
Neste encontro o professor Peter indica a seguinte bibliografia:
Fatima Mernissi, Beyond the veil: Male-Female dynamics in modern Muslim society. Bloomington and Indianapoli, 19087 (1975, 1st)
1. the Muslim concept of active female sexuality (pp. 27-45);
2. regulation of female sexuality in the Muslim social order (pp. 46-50, 58-60);
6. Husband and wife (108-120).
Abdelwahab Bouhdiba, La sexualité em Islam. Paris: Quadrige / PUF, 1982 (1975, 1ère)
3. La frontière des sexes (pp. 43-57);
Conclusion: Crise de la sexualité et crise de la foi dans le monde arabe-musulman actuel (pp. 281-303). ( A versao em portugues ja esta disponivel no xerox / Aguário )
Fatima Mernissi, Beyond the veil: Male-Female dynamics in modern Muslim society. Bloomington and Indianapoli, 19087 (1975, 1st)
1. the Muslim concept of active female sexuality (pp. 27-45);
2. regulation of female sexuality in the Muslim social order (pp. 46-50, 58-60);
6. Husband and wife (108-120).
Abdelwahab Bouhdiba, La sexualité em Islam. Paris: Quadrige / PUF, 1982 (1975, 1ère)
3. La frontière des sexes (pp. 43-57);
Conclusion: Crise de la sexualité et crise de la foi dans le monde arabe-musulman actuel (pp. 281-303). ( A versao em portugues ja esta disponivel no xerox / Aguário )
Pew Research center tem longa entrevista com Tariq Ramadam
Nesta entrevista feita em abril de 2010 , Tariq Ramadam fala sobre a proibição dos véus, do terrorismo islamico e da compatibilidade do isla com o Ocidente . Cf. em :
http://pewforum.org/Politics-and-Elections/A-Conversation-With-Tariq-Ramadan.aspx
http://pewforum.org/Politics-and-Elections/A-Conversation-With-Tariq-Ramadan.aspx
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Relatório da Visita a Mesquita Brasil - Sociedade Beneficente Muçulmana do Brasil. ( 20/07/2010)
A visita ocorreu na terça feira dia 20 de junho de 2010 as 11h com a presença dos seguintes pesquisadores: Cila, Karin Fusaro, Natalia Nahas Carneiro Maia, Gabriel Mathias Soares e Carolina A. de S. Ribeiro.
A visita foi mediada pelo engenheiro Sr. Hosney que nos recebeu, mostrou a mesquita por dentro e nos falou sobre os preceitos básicos da religião muçulmana, sobre a história da Mesquita , tendo sido a primeira de São Paulo ( com obras iniciadas em 1929) . Em seguida recebemos a visita do sheikh, Abdel Hamid Mohamed Mohamed Aly Metwally líder religioso e responsável pela mesquita que, em árabe com a tradução do Sr. Hosney, nos explicou sobre as orações, sua importância, liturgia e dimensão sagrada. A conversa foi interrompida para o sheikh poder comandar uma reza com outras pessoas da comunidade que o aguardavam e se reinicio tendo abertura para nossas perguntas. Entre outras questões discutiu-se como é a comunicação entre o sheikh e os fiéis que não são fluentes em árabe; questionou-se quantas pessoas freqüentam a mesquita ( os dados não são precisos mas segundo o Sr. Hosney ultrapassa 500 pessoas nas orações de sexta a noite); perguntou-se sobre a relação do islã com as outras grandes religiões monoteístas; questionou-se sobre os dilemas contemporâneos enfrentados pelas religiões (falta de tempo, excesso de trabalho, oscilações na fé etc) e no final, o sheik foi convidado a comentar a proibição do uso do véu em lugares públicos aprovado e já em vigor em alguns países ( o sheik manifestou-se contrário a esta tendência de proibir o véu em lugares públicos pois em sua leitura tal proibição, além de ferir uma tradição muçulmana colocaria em risco a integridade física e moral das mulheres que, sem o véu, estariam expostas aos olhares e as más intenções dos homens).
A visita durou certa de 4h e tanto o sheikh Abdel Hamid Mohamed Mohamed Aly Metwally como o Sr. Hosney se mostraramm dispostos a nos receber novamente em ocasiões vindouras.
A visita foi mediada pelo engenheiro Sr. Hosney que nos recebeu, mostrou a mesquita por dentro e nos falou sobre os preceitos básicos da religião muçulmana, sobre a história da Mesquita , tendo sido a primeira de São Paulo ( com obras iniciadas em 1929) . Em seguida recebemos a visita do sheikh, Abdel Hamid Mohamed Mohamed Aly Metwally líder religioso e responsável pela mesquita que, em árabe com a tradução do Sr. Hosney, nos explicou sobre as orações, sua importância, liturgia e dimensão sagrada. A conversa foi interrompida para o sheikh poder comandar uma reza com outras pessoas da comunidade que o aguardavam e se reinicio tendo abertura para nossas perguntas. Entre outras questões discutiu-se como é a comunicação entre o sheikh e os fiéis que não são fluentes em árabe; questionou-se quantas pessoas freqüentam a mesquita ( os dados não são precisos mas segundo o Sr. Hosney ultrapassa 500 pessoas nas orações de sexta a noite); perguntou-se sobre a relação do islã com as outras grandes religiões monoteístas; questionou-se sobre os dilemas contemporâneos enfrentados pelas religiões (falta de tempo, excesso de trabalho, oscilações na fé etc) e no final, o sheik foi convidado a comentar a proibição do uso do véu em lugares públicos aprovado e já em vigor em alguns países ( o sheik manifestou-se contrário a esta tendência de proibir o véu em lugares públicos pois em sua leitura tal proibição, além de ferir uma tradição muçulmana colocaria em risco a integridade física e moral das mulheres que, sem o véu, estariam expostas aos olhares e as más intenções dos homens).
A visita durou certa de 4h e tanto o sheikh Abdel Hamid Mohamed Mohamed Aly Metwally como o Sr. Hosney se mostraramm dispostos a nos receber novamente em ocasiões vindouras.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Revista de História do Museu Nacional tem dossiê sobre Judeus no Brasil
Exemplar de Julho de 2010 ( ano 5 numero 58) da revista de História da Biblioteca Nacional ( ainda disponível nas bancas) esta com um dossiê sobre os Judeus no Brasil. Mais informações em: http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=edicao
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